domingo, 23 de novembro de 2008

Jesus Cristo, Rei do Universo

Foi lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; e o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído” (Daniel 7,14).

O verso do livro do profeta Daniel, faz uma declaração clara a respeito daquele que haveria de vir para restaurar e resgatar o ser humano: Jesus Cristo o Senhor. E se observarmos o calendário litúrgico vamos perceber de que estamos a uma semana do advento, palavra que significa advir = está para vir. Ou seja, é um tempo de esperar alguém que está por chegar. Faltando cinco finais de semana para a data que celebramos o nascimento de nosso Rei e Salvador, nós somos chamados a preparar nossos corações, nossas famílias para recebermos o menino de Belém na nossa realidade.
No tempo do profeta Daniel o povo estava a esperar a vinda do Messias, do Cristo. Esperando a sua primeira vinda. E como bem o sabemos veio e habitou entre nós. Hoje, nesse período chamado advento, nós também nos preparamos e esperamos a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, mas agora é a segunda vinda, de acordo com sua promessa: “e quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também” (João 14,3), e como seu mensageiro havia declarado no dia de sua ascensão: “esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o viste subir” (Atos 1,11). Ou seja, o Cristo que dentre os apóstolos foi arrebatado aos céus virá uma segunda vez, “virá com as nuvens, com poder e grande glória” (Lucas 21,27; Apocalipse 1,7).
Neste período de espera da segunda vinda do Senhor é importante lembrarmos e observarmos uma afirmação que João Batista fez ao povo preparando-os para a primeira vinda do Senhor: “arrependei-vos, por que está próximo o reino dos céus” (Mateus 3,2). Assim sendo, no período do advento somos chamados ao arrependimento, à conversão verdadeira. Este período deve ser reservado para a penitência, ao jejum e a orações.
Amados irmãos, o nosso Rei e Senhor está por vir, purifiquemo-nos de nossos pecados e voltemo-nos ao Senhor nosso Deus. Este Cristo que a mais de 2000 anos nasceu lá em Belém, pode nascer no seu coração, na sua vida, sua família, sua comunidade, etc. Seja este período, que falta para a data do nascimento de nosso Senhor, um período de penitência, oração, conversão. Nosso Senhor nos chama, vamos dizer sim a Ele.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

31 de Outubro – DIA DA REFORMA

Historicamente, este dia representa o dia em que Martinho Lutero afixou à porta da igreja do castelo de Wittenberg, suas 95 teses a respeito da igreja e da fé cristã da época, no ano de 1517. Podemos dizer que é o dia em que devemos parar para analisar nossa vida, nossos pensamentos e nossas atitudes. Abrir nossos corações para Deus e tentar ver o mundo com outros olhos, a partir da Bíblia… e, se neste dia, percebermos que temos de mudar, então que assim seja! Que se faça a reforma…”
O texto acima é uma citação da página de responsabilidade da Comunidade Dr. Martinho Lutero – IECLB no Jornal “A Integração” da cidade de Horizontina-RS. O texto nos propõe uma reflexão muito valiosa: “analisar nossa vida, nossos pensamentos e nossas atitudes… se percebermos que temos de mudar que assim seja… que se faça a reforma”.
Uma mudança de pensamentos e de atitudes pode ser o que precisamos em meio a crises que vivenciamos na atualidade.
Em primeiro lugar, temos a crise existencial: acompanhamos há poucos dias atrás um jovem de 22 anos sendo o autor de uma atitude de conseqüências trágicas. A causa era o fim do namoro. Nada pode justificar tal atitude, agora, ela pode ser entendida pela falta de sentido na vida deste jovem, que não enxergava nenhuma possibilidade de recomeçar sua vida longe da sua antiga namorada.
Este é um exemplo, de tantos acontecimentos que envolvem jovens que demonstram perante a sociedade sua total falta de esperança, total falta de sentido na vida.
Em segundo lugar temos a famosa crise econômica. Fruto de atitudes precipitadas e impensadas de um pequeno grupo de americanos, que trouxe conseqüências até então incalculáveis para o mundo inteiro.
Duas crises e, por traz destas, a mesma causa: o mundo deu as costas para Deus. Nossos valores estão nos bens materiais – tecnologias, dinheiro, etc. Sem as quais parece que não podemos viver. Tudo bem que o dinheiro é um mal necessário, agora depositar nele toda nossa confiança é a certeza de um futuro desastroso. Toda criação humana é falha e limitada.
Precisamos urgentemente analisar nossa vida, nossos pensamentos e nossas atitudes promovendo uma mudança, promovendo uma reforma. Tenhamos a coragem do reformador Lutero, Deus estará sempre conosco.
Entrega ao Senhor o teu caminho, nele deposita tua confiança e ele fará o mais”(Sl 37,5)

domingo, 26 de outubro de 2008

80 anos da Comunidade Evangélica Dr. Martinho Lutero - IECLB

Neste domingo – 26/10 – estivemos celebrando juntamente com nossos irmãos em Cristo da Comunidade Dr. Martinho Lutero os seus 80 anos de caminhada.
Esta comunidade tem uma importância muito grande para a Missão do Espírito Santo, pois ao darmos nossos primeiros passos na cidade de Horizontina, celebrávamos os cultos nas casas das famílias, mas para as celebrações maiores fomos acolhidos pela comunidade Dr.Martinho Lutero que gentilmente cedeu seu Templo, no qual foi celebrado o culto da primeira visita pastoral de nosso Bispo Dom Olavo, onde recebemos em comunhão a primeira turma de confirmandos, onde muitos batizados foram celebrados e também vários ofícios matrimoniais.
A todos os evangélicos de nossa cidade nossa saudação e o nosso muito obrigado por vossa contribuição na expansão do anglicanismo nesta cidade. Rendemos graças a Deus pelos vossos 80 anos de nossa irmã mais velha e elevamos nossa oração a Ele para que vos continue abençoando e inspirando na missão que lhes confiou.

domingo, 17 de agosto de 2008

LAMBETH 2008: DIÁLOGO DEVE CONTINUAR

A Catedral de Cantuária pareceu pequena para a celebração eucarística de encerramento da XXIV Conferência de Lambeth, realizada entre 16 de julho e 03 de agosto, no campus da Universidade de Kent. Após o encerramento da sessão plenária na grande tenda, o Arcebispo de Cantuária concedeu uma entrevista coletiva à imprensa, expressando sua alegria de que os propósitos da Conferência haviam sido alcançados. Segundo ele, os bispos que atenderam ao chamado de se reunir e refletir sobre seu papel e sua missão alcançaram um largo consenso em torno de muitos temas. Os temas de justiça e compromisso com uma sociedade sustentável e solidária mobilizaram os bispos e esposas reunidos na cidade de Cantuária.
Em relação aos temas em que não se pode apontar um consenso mais visível, como os relacionados à questão da sexualidade humana, os bispos manifestaram o desejo de continuar juntos, buscando compreender sua complexidade e se comprometeram a continuar um sincero processo de escuta. “Nós não resolvemos todos os nossos problemas, mas as peças estão sobre a mesa”, disse o Arcebispo na coletiva. Um documento de 42 páginas, denominado Reflexões sobre Lambeth 2008, foi o resultado dos múltiplos processos de diálogo ocorridos na Conferência. Estudos bíblicos, grupos de reflexão – chamados indaba - plenárias e muita conversa franca e honesta levaram à confecção desse que é um documento para a Comunhão Anglicana e para o mundo de maneira geral.
O encerramento da Conferência na Catedral foi um momento histórico de reafirmação da unidade. Talvez o mais emocionante momento tenha sido, após a Eucaristia, a colocação no altar da capela destinada aos mártires da Igreja dos nomes dos sete missionários melanésios que deram suas vidasem meio aos conflitos étnicos naquele país em 2003. Um grupo de irmãos das ordens religiosas daquele país cantaram em unissono a litania dos santos e márites, ecoando por uma Catedral reverentemente silenciosa diante desse testemunho.
Nossos bispos voltam agora para casa. Temos a esperança de que a experiência de Lambeth possa contribuir para que seus ministérios nas suas dioceses sejam a afirmação do diálogo, da busca constante da vontade de Deus e a capacitação do povo para o testemunho cristão em nossa Província.
O Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva é o
Secretário Geral da IEAB

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Carta de D. Jubal sobre a Conferência de Lambeth

Partilhando Lambeth 2008 com nossa gente

Uma semana se passou, já podemos ter uma retrovisão mais tranqüila, com maior discernimento. E esta palavra é chave a fim de que possamos compreender e valorizar o que ocorreu entre 10 de julho e 04 de agosto de 2008.

Colocamos o período inicial de 10 a 15 de julho porque foi o tempo de hospitalidade, quando os bispos se dividiram entre as diversas dioceses da Inglaterra, Gales, Escócia e Irlanda, para adaptação ao fuso horário (mais 4 h em relação ao Brasil) e à cultura local dos nossos hospedeiros. Eleci e eu ficamos junto à Catedral da Diocese de Southwark, na parte Sul de Londres, com nosso antigo e belo amigo, Deão Colin Slee e família, na casa paroquial à beira do Tâmisa, quase defronte à "Ponte do Milênio". O bispo diocesano, Tom Butler, e sua esposa, receberam-nos em sua casa para uma recepção aos onze bispos visitantes mais os seus três bispos sufraganeos, com as respectivas esposas. Alem de nós, eram visitantes três bispos do Zimbabwe e sete do Canadá. Foi uma rica experiência de interação entre os bispos, uma micro experiência do que seria esta Conferência de Lambeth. E todos juntos fomos para Canterbury (Cantuária) na manhã do dia 15.

A maioria dos brasileiros já se encontrava no Parkwood, da Universidade de Kent. Era necessário caminhar uns dois a três quilômetros para chegar ao local das refeições e ao local das Celebrações Litúrgicas e reuniões conjuntas: a "Grande Tenda". Mas havia transporte disponível de 15 em 15 minutos.

Éramos cerca de 650 bispos, cônjuges, e cerca de 500 assessores, incluindo participantes ecumênicos. Só não compareceram bispos da Nigéria, Uganda e Ruanda. Uma fonte de comunicação afirmou que faltaram cerca de 220 bispos anglicanos que fizeram boicote ou foram proibidos por seus Primazes (!?) de comparecer.

A gente sabia da grande tensão que rodeava esta Conferência, e a imprensa secular anunciava o que gosta de anunciar: "A Comunhão Anglicana está em crise! Vai rachar! Quem sabe desaparecer!..."
Facilmente "observamos os corvos em volta, sem perceber os pássaros da esperança e da paz". Esquecemos que ninguém pode aprisionar o Espírito Santo.

Para nós foi a segunda Conferência. Inclusive participei do Grupo de Planejamento da Lambeth 1998. Isso forneceu para a gente a capacidade de ver falhas, mas também permitiu o reconhecimento tácito de que a mudança de método contribuiu inquestionavelmente na formatação do rosto deste encontro internacional dos bispos anglicanos, que acontece apenas de 10 em 10 anos, desde 1867.

Esse método evitou os plenários para a tomada de decisões. Na verdade Lambeth nunca teve em seu objetivo decidir e ditar para a Comunhão Anglicana o caminho a seguir. O próprio Arcebispo Rowan Williams insistiu que Lambeth se concentrasse em dois temas: (a) equipar os bispos para a Missão; (b) fortalecer a Identidade Anglicana. O cerne do nosso encontro de bispos foi a partilha em grupos: Grupos de Estudo Bíblico e Grupos Indaba. O primeiro era composto por 8 bispos, o segundo por 40 bispos, ou seja, cinco grupos de estudo bíblico. Isso permitiu que os grupos Indaba (palavra zulu que significa debater todos os aspectos de uma determinada situação sem intenções de tomar decisões a respeito, mas com tempo e espaço para todos) fossem se transformando em verdadeiras comunidades. Havia um facilitador, um secretario (staff) e um representante do grupo para a formatação dos relatórios. Na parte da tarde havia reuniões plenárias para escutar os relatórios e fazer emendas.


Isso foi possível num ambiente de paciência e respeito, de compreensão das realidades diferentes, das interferências que os ambientes e culturas diversas oferecem na vivencia de nossa fé, dentro da maneira de ser anglicana, porque nos três primeiros dias da Conferência tivemos um Retiro na Catedral de Cantuária excelentemente orientado pelo nosso Arcebispo, assim como pelas liturgias de cada dia, e pela convivência que cultivamos entre nos todos.

Ainda que tivéssemos nossas devoções e refeições conjuntamente, as esposas e os esposos (havia cerca de 20 bispas ,participantes!) também tinham uma programação separada, incluindo o mesmo estudo bíblico em torno do Evangelho de São João. Foram momentos que permitiram uma verdadeira terapia grupal e profunda reflexão sobre a unidade da Igreja, com muito amor e oração pelo que estava ocorrendo durante os nossos trabalhos. Liderava esses trabalhos a Dra. Jane Williams, esposa do Arcebispo de Cantuária. Seus outros trabalhos, palestras e oficinas (musica, liturgia, missão, projetos sociais, redes anglicanas, etc) foram especialmente voltados para a partilha de suas vivencias, ministérios e dificuldades dos diversos contextos de que provinham, alem de exposições e passeios.

Muitos eventos foram oferecidos em horários da tarde e noite, com freqüência voluntária. E muitas noites tivemos momentos de socialização e convivência.

No dia 24 de julho todos fomos as ruas de Londres, passando pelo Parlamento Britânico, até o Palácio de Lambeh, residência do Arcebispo de Cantuária. Todos nós de batina rocha, empunhando cartazes e guarda chuvas, pressionando os governos a atenderem de imediato os "objetivos do milênio", aprovados pela ONU. Cantamos diversas vezes, em português e inglês, o Caminhando pela luz de Deus. Sem dúvidas, foi um poderoso gesto que foi ouvido e visto nos mais diversos cantos do mundo; mostrando uma Igreja que se interessa profundamente pelo que acontece em nossa volta.

O documento final da Conferencia se chama "Reflexões sobre a Conferência de Lambeth". Ele trata de Missão e Evangelização, Meio Ambiente, Ecumenismo, Dialogo com outras Fés, Identidade Anglicana, Homossexualismo, Autoridade das Escrituras no Pensamento Anglicano, o Pacto Anglicano, o Processo de Windsor (recomendações dos Primazes) e Recomendações para o trabalho dos Grupos de Continuação, incluindo o pedido de moratória (que sejam suspensas as ordenações de bispos homossexuais que vivam com pessoa do mesmo gênero, benção de casais gays, e a ultrapassagem de limites provinciais sem permissão).


É reafirmada a posição da diocese como a unidade básica da Igreja, a fronteira onde devemos estar na Missão com maior ênfase. A partir dessa afirmação se questionou o papel deveras hierárquico que vem sendo dado ao Conselho de Primazes nos últimos 10 anos, e se enfatizou a importância do Conselho Consultivo Anglicano na tomada de decisões, onde se incluem bispos, clérigos e leigos, conjuntamente, ainda que seja da nossa tradição que qualquer decisão se torna efetiva somente após concordância da maioria das Províncias Anglicanas.


O papel dos "Quatro Instrumentos de Unidade da Comunhão Anglicana" (Arcebispo de Cantuária, Conferência de Lambeth, Conselho Consultivo Anglicano e o Encontro de Primazes) é reafirmado, assim como as "Cinco Marcas da Missão" (proclamação / batismo e nutrição / serviço aos necessitados / luta pela justiça / integridade da criação).

É fundamental a leitura deste documento final, que relata o que foi dialogado, as alternativas levantadas, e o caminho a seguir nos próximos anos. Entretanto, queremos aqui ressaltar a atmosfera do nosso encontro, que renovou em todos a experiência e a esperança de que como anglicanos, ainda que diferentes, podemos estar juntos.

No sábado, véspera do encerramento, houve um encontro com representantes dos "stewards"(cerca de 70 jovens anglicanos de diferentes nacionalidades que nos ajudaram todo o tempo). Uma jovem afirmou, em testemunho espontâneo, que o que ela vira e sentira ali por três semanas fora a sintonia e harmonia de diferentes bispos e cônjuges, num belo exemplo do que significa ser cristão anglicano.

Pessoalmente, entendemos que precisamos nos entreajudar por maneiras criativas, incentivando a partilha teológica e ministerial ("não se ama quem não se conhece!"), o estudo da hermenêutica bíblica, sempre se afastando de qualquer tentativa de estabelecer limites ou regras que em geral tem sido utilizadas mais como meio de excluir ou silenciar o próximo. Há muita coisa a ser esclarecida e resolvida em família.

Como disse alguém, em um dos grupos Indaba, esta Conferência de Lambeth nos convida a uma Década de Partilha e Generosidade, mantendo-nos caminhando juntos, conversando juntos e juntos escutando-nos mutuamente.

+Jubal e Eleci Neves